Posted by: transiente2 on: Junho 25, 2009
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Tatiana voltou.
Bateu à porta e fez-se anunciar. Trazia um papel qualquer na mão que o levantou e colocou frente aos seus olhos, mas ele não estava a olhar para a folha, estava a olhar para o Y que continuava perfeito ali entre os seus dois peitos.
Trazia um caicai branco de formato enrugado que não cobria muito mais que metade das suas mamas. O caicai dava-lhe um Y ainda mais pronunciado, criando um fosso ao meio para o qual não hesitaria saltar.
Aquele tipo de roupa, tinha a certeza absoluta, não era permitida numa Detective. Chegou a pensar que talvez ela se vestisse assim só para ele, trocando de roupa numa qualquer cabine telefónica antes de chegar, como o Super-Homem faz.
Mas as hormonas têm muitos pensamentos, quer de imagens sonhadas acordado, quer de palavras, coisas agradáveis que nós gostamos de sentir e ouvir e que nos dão desejo para conseguir.
E é estranha esta aparente conclusão, de que as palavras que surgem na cabeça são na realidade as palavras ditas por partes do corpo, que afinal falam, e que na verdade a consciência se limita a ouvir e a sentir muda essas experimentadas emoções.
Mas Zodiak estava enganado. A verdade é que Tatiana, depois de ter sido violada, quando era jovem de liceu, ficou congelada na sexualidade para todo o sempre.
Aquele momento duplo em cima da cama, com os dois colegas de liceu que a usaram à vez ou em atordoada coordenação, quebrara-lhe a vontade para aquilo que o seu perfeito corpo fora programado fazer.
E aqueles momentos no colchão resumiram, numa única tarde de domingo, uma vida inteira desde a alegria à desilusão.
De certa forma foi uma sorte, porque despachando desde logo o assunto ficou livre para viver a vida como nunca a teria podido viver.
Era esse o segredo para a sua rápida ascensão na sua profissão, para a qual não tinha a menor vocação.
Usava a sua castrada sexualidade apenas como mecanismo de provocação. Usava a roupa curta de mais para a profissão (para qualquer profissão na verdade, menos uma), expondo o corpo como um altar que não se podia tocar.
E as dores de olhar que provocava nos homens eram a sua forma silenciosa de retaliação.
A ela, bastava-lhe a tesão. Mas esse tesão, que num ser normal funciona como a estocada inicial que o conduz para a arena onde será finalmente toireado, em Tatiana funciona como sinal de alerta e de retracção.
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